Será verdade, será que não? Existe alguma
coisa que se possa falar? Há poucos dias, lá para as bandas do Maranhão, ouvi ranger
entre dentes o disco riscado da mais estúpida banalização.
O horror cíclico do enredo de plebe rude,
agora caboclinha na dinâmica de ló: - Ai seu eu te pego.. Assim você me mata.
Delícia, delícia!
No final das últimas tabas, um curumim
dança no fogo ardente de todas as ignorâncias. Sua face pequena percorre a
gritos o quintal derrubado pelo banal horror da falta de mata e a simpática
conivência federal. Eu sou um coração partido na terra árida de todos os
escândalos. Eu estou passando mal, em vista das carcaças, mas não posso dar
uma fugidinha para esquecer. Estou só e a memória permanece.
Eu não mais consigo enxergar meu rosto,
pois a fumaça sobe e a carne está queimada. Mais um inútil sacrifício Maia no
planalto de todas as perplexidades. Não era realmente um Yorkshire, estes
modelitos frágeis de convivência aos neuróticos urbanos. Contudo seu porte
mirim - se é que é verdade que foi acesa viva sua pira - era elevado na
dignidade de suas carências, mesmo porque foi representante da moribunda
decência, escondida nos últimos refúgios de uma economia em desenvolvimento.
Que ingenuidade esta a nossa, observando
silentes onde se plantaram ventos bravios e hoje, vemos que se colhem apenas abates
frequentes. Eis que alguém virá, para acalmar os ânimos. Sempre surge um idiota
na bruma das oficialidades. Irá dizer, afinal, que era tão só uma criança pega
entre serras e machados. Perdeu-se dos pais na mata e foi encontrada pela horda
da correição humana. Apenas mais um bando embriagado pela falta de evidências
(não podemos generalizar, contemporizarão os doutos), afinal estamos todos
andando no arame de todas as conveniências.
Fala-se que não se pode apontar o negro,
mas na etnia Awa-Guajá, existe
uma lenda que agoniza quando os carrascos riem-se da sua própria crueza. Um
pequeno guerreiro leva no peito a inocência, que será arrancada para adubar a
devastação na verde terra. Tudo está demarcado, menos o apetite dos
latifúndios e o paladar dos açambarcadores, protegidos pelo silêncio das leis.
Discursos redigidos e petições anotadas, falam de toda a nossa letargia e
inanidade, para uma plateia estupidificada. Dá um compartilhar aí!
Mas, tristezas não pagam dividas. E
estamos sempre fazendo progressos, mesmo que tiriricas. Dizem tudo, os que
falam sim. Olha que fica soando quase como um bem. Em inglês musicado fica
progressivamente mais bonito: - There's no heart in Harold Land.
Uma ou outra dúvida, ainda permanece: -
Mas, ali em cima, onde corre o sangue e a beberagem do poder alucina os
trastes, não é terra de Sarneys? Não chapinham nos pântanos, as maracutaias? Onde
é que fica a porta, onde está esculpida em madeira de lei a salamandra da
ética? Quantos cupins são necessários para roer um caráter? Mistério ocultado
pelo folclore do realismo fantástico do inferno verde!
Não, não verás país nenhum, gritamos
roucos no deserto de todas as almas. Da mesma maneira, nada estampará a desonra
nestas capas de revistas, cujo artifício é passar incólume pelos infográficos.
E, provavelmente parcos artigos não superarão os erros de uma enfermeira ou
indicarão possibilidades. Desculpe, Olga. Mas, já não há mais discretas
esperanças. Apenas o truque sujo da trapaça!
Em todos os rincões do Brasil, tem-se uma
ausência de Pátria. E a indignação, mesmo virtual é pálida, numa sociedade onde
todos os gatos são pardos e aquilo que é uma vergonha, não passa de bordão
televisivo. Mataram uma criança no Norte, para ir ao Rio morar. Adeus,
meu pai e minha mãe, morreu outra infância em Goiás! Ai, ai. Ai, ai! Adeus,
Belém dos que sofrem sem parar!
Não entendeu? Eu também não posso dizer
que o mel é doce. Apenas que as abelhas têm ferrão e um ardido veneno, que
escorre entre as árvores caídas para gerar solos mais pobres.
Contudo, se compreendo "como", mas não
compreendo "porque", eu quase posso afirmar - talvez, delirante - que depende
de mim e de você!
Viaje agora, pela Terra de Mordor:
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