Por: Gustavo Falcão
Consultor MOT
Você
já deve ter tido aquela sensação de olhar para uma pessoa e pensar:
"Caramba, não fui com a cara de fulano, meu santo não bateu com o
daquela pessoa" ou o contrário, você começa a conversar com alguém e a
conversa engata num ritmo tão bom que parece que você conhece essa
pessoa há anos. Já tiveram esses sentimentos? Acredito que sim.
É interessante como as afinidades acontecem com alguns estilos de personalidade e não com outros.
Vamos observar alguns desses estilos!
Imagine suas relações interpessoais diárias, tanto na vida profissional
como pessoal. Provavelmente você deve conhecer alguém que começa o dia
falando e termina o dia falando, têm conversa para todo tipo de
assunto, são emotivos, têm entusiasmo contagiante para começar
projetos, mas se distraem com facilidade, são sensíveis, divertidos,
otimistas, criativos e praticam a empatia constantemente. Esse estilo é
conhecido como Popular Sangüíneo!
Existe também aquele estilo que prefere as rotinas, gosta de tudo
organizado, são metódicos, prezam pela perfeição em tudo que fazem, não
são superficiais, têm facilidade em analisar fatos, dados, estudam a
fundo todos os assuntos a que se dedicam, são leais. Esse é o estilo
chamado de Perfeito Melancólico.
Sabe aquela pessoa que é chamada de líder nato? Esses fazem parte do
terceiro estilo. Adoram desafios, são confiantes, focados em resultados
(às vezes esquecem das pessoas envolvidas), nada parece detê-los, são
muito determinados e corajosos, são independentes, correm riscos e
pensam muito rápido. Esse é o Forte Colérico.
O quarto e último estilo que falaremos aqui é o bom ouvinte, paciente,
tranqüilo e calmo, pensa antes de falar, é observador, racional,
equilibrado, estável, tem a paz e a harmonia como propósito de vida. É
conhecido como Sereno Fleumático.
É possível que você tenha se identificado com algum desses estilos
(Sangüíneo, Melancólico, Colérico ou Fleumático). São estilos
diferentes, alguns até opostos. O interessante é que convivemos com
essa diversidade no nosso cotidiano.
Utilizando a metáfora desses estilos, vamos imaginar o Sangüíneo
desenvolvendo uma atividade em parceria com o Melancólico. Um é
falante, gosta de ouvir música enquanto trabalha, o outro gosta de
silêncio para se concentrar, um gosta de criar, arriscar, o outro
prefere a segurança, um trabalha bem com improvisos e pessoas, o outro
faz planejamentos detalhados, é pontual e prefere até ficar sozinho
para manter sua organização a salvo.
O quadro é perfeito para um conflito! E não é raro que isso aconteça realmente.
Porém, os dois podem desenvolver um equilíbrio entre si. O Sangüíneo
com seu entusiasmo provoca de maneira positiva o Melancólico a
participar mais da sociedade, a se expor um pouco mais e a aceitar as
mudanças que hoje em dia são tão constantes. O Melancólico, por sua
vez, traz foco e organização a vida do Sangüíneo que com sua facilidade
de expressão e de ter idéias, por vezes, tem dificuldades em tornar
realidade suas criações e terminar o que começa.
Vamos para o outro extremo, Colérico e Fleumático.
De um lado uma pessoa que gosta de realizar, fazer, é pragmático,
racional, seu objetivo será alcançado a qualquer custo, tem sentido de
urgência e é pouco paciente. Essa pessoa está trabalhando em equipe com
uma outra pessoa que é serena, calma, "relax", zen, uma pessoa que
acredita na paz e diplomacia. Um diz: vamos fazer isso, isso e isso
agora! O outro responde: calma, vamos por etapas. Um é mais impulsivo o
outro reflete sobre as conseqüências possíveis. Novamente, temos aqui
uma grande possibilidade de desentendimentos caso não haja
flexibilidade* entre eles.
Com a percepção mais aguçada, notamos que o Fleumático transmite
equilíbrio ao ansioso Colérico, que por sua vez, faz com que o
"preguiçoso" Fleumático se mexa mais.
Nossa flexibilidade* de comportamento pode ditar o ritmo dessas
relações. A diversidade é uma realidade e conviver com ela é uma
necessidade. Tentar mudar o outro para que ele fique mais parecido
conosco é ter a pretensão de acreditar que o nosso estilo é a solução
mais adequada. Aceitar as diferenças e otimizar essas relações,
respeitando e compreendendo as preferências de cada estilo,
principalmente dos nossos opostos, demonstra nossa flexibilidade* e uma
oportunidade para aprender com as diferenças e crescer
profissionalmente e pessoalmente.
Bom desafio para nós!