O Brasil tem um dos piores indicadores de qualificação profissional entre os países emergentes, com apenas 16% da força de trabalho com alguma qualificação contra índices de 30% no México, Chile e Argentina. Para melhorar esse quadro é importante que as empresas invistam em processos de formação e qualificação, mas há um problema a superar: o que fazer quando o colaborador decide que não quer fazer o treinamento?
Na tentativa de responder a esta pergunta, a coordenadora da Qualidade do Sheraton São Paulo WTC, Ana Karina Poloni, escreveu o artigo "Como conseguir a corresponsabilidade em processos de treinamento", que integra o livro colaborativo "Visões sobre Treinamento Corporativo", que está sendo organizado por Carol Olival Trovó, diretora pedagógica do Wall Street Institute.
Segundo Ana Karina, uma das principais qualificações demandadas pelo hotel é o conhecimento de inglês por parte de todos os funcionários, não apenas os que trabalham na recepção ou central de atendimento. "Camareiras, pessoal de manutenção e mensageiros, todos precisam ter conhecimentos básicos de inglês para poderem entender as demandas do cliente e resolver os problemas de forma rápida, sem intermediários. Por isso, estamos oferecendo cursos de inglês a todos os empregados que queiram fazê-lo", assinala.
No entanto, em alguns casos, colaboradores que se inscrevem no curso decidem abandonar as aulas, exigindo da área de qualidade da empresa uma tomada de posição. "O hotel paga o curso de inglês para os empregados que querem fazê-lo. Não obrigamos ninguém a se inscrever, mas quando a pessoa se inscreve, isso gera uma expectativa de nossa parte e, ao mesmo tempo, um custo, pois nós pagamos a conta. Para que a pessoa se sinta estimulada a seguir em frente, mostramos ao colaborador que, caso ele avance no inglês, terá novas oportunidades de trabalho. No entanto, se ele não tiver uma frequência mínima, o valor que o hotel pagaria pelo curso será descontado do salário do empregado", explica Ana Karina.
Segundo a coordenadora da Qualidade do Sheraton WTC, essa mescla de estímulo e responsabilização pelo pagamento integral do curso faz com que as pessoas se tornem mais focadas em relação à necessidade de aprender. "Muitas vezes notamos que os casos de abandono de aulas, que chegam a 20% do total, se devem principalmente à falta de determinação das pessoas, pois aprender uma segunda língua não é algo fácil, exige dedicação, frequência e vontade de aprender e praticar. Por isso mostramos ao colaborador que o hotel está disposto a ajudá-lo na medida do esforço dele, ou seja, enquanto ele estiver envolvido com as aulas e com o aprendizado, o hotel bancará os custos do treinamento", conclui.
O livro colaborativo "Reflexões sobre Treinamento Corporativo" reúne vários capítulos que abordam questões relacionadas ao treinamento dos pontos de vista estratégico, tático e operacional nas empresas. Vários autores participam, todos eles com grande vivência nas áreas de Gestão de Pessoas de empresas e entidades, inclusive professores e consultores. O trabalho será distribuídos em vários formatos: 2.000 exemplares impressos, formato eletrônico para aqueles que quiserem baixá-lo na Internet e até um blog, que está registrando entrevistas em vídeo com os autores. Você pode acessar o blog do livro em
http://www.treinamentocolaborativo.blogspot.com/ e acompanhar a evolução do projeto.
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