Um item de fundamental importância e que é esquecido por muitos gestores hoje em dia diz respeito sobre conhecer o perfil de cada membro da equipe. Como o profissional pensa, o que o motiva, seus anseios, expectativas, como é sua competência emocional sob situações de tensão, como atua junto a outros membros e por aí vai.
O problema é que para que se possa efetivamente conhecer o perfil dos integrantes do time é necessário, primeiramente, conhecer a si mesmo, ou seja, o lider ou gestor ter conhecimento sobre seu próprio perfil.
Tenho notado, nos programas que conduzo nas mais variadas empresas de diversos portes e segmentos um "analfabetismo emocional" intenso por parte daqueles que lidam e gerem pessoas. Profissionais imbuídos do cargo de gestão que conhecem muito pouco acerca de si próprio e que veem sua carreira ameaçada por lidarem inadequadamente com questões de cunho emocional, principalmente com os mais próximos (subordinados, superiores, pares).
E qual o motivo de isso estar ocorrendo apesar de já termos atravessado a primeira década do novo século baseado na era do conhecimento? Um deles e talvez o principal, está baseado no fator medo. É muito difícil para algumas pessoas aceitarem que precisam alterar aspectos do seu comportamento que estão prejudicando sua vida profissional, pois para elas a forma como atuam está consolidada por anos de manifestações comportamentais na qual buscam a mesma resposta emocional frente às situações já conhecidas, perpetuando ainda mais sua forma de ser.
Outro ponto que destaco e que faz com que o medo se perpetue é a forma como alguns desses profissionais foram, são e certamente continuarão a ser abordados por alguns especialistas comportamentais. Após responderem a vários instrumentos, indicadores e questionários ligados ao assunto, muitos recebem a informação de que precisam mudar radicalmente sua conduta e principalmente sua personalidade para que possam estar alinhados à nova dinâmica de mercado. E é aí que mora o perigo. Mudar radicalmente e completamente a personalidade significa para estas pessoas jogar no lixo tudo aquilo que elas eram, como agiam e que valoravam e que agora de nada mais vale sua forma de atuação. Isso faz com que a pessoa entre em "parafuso", pois agora ela é convidada a negar tudo aquilo no qual sua vida foi sustentada.
O que deveria acontecer é que deveria ser mostrado ao profissional pontos do seu perfil que são condizentes com o momento atual pelo qual as organizações atravessam, enfatizando como essas características são importantes para o profissional continuar batalhando no mundo corporativo. Por outro lado, deveria ser mostrado também o que poderia acontecer a esse mesmo profissional caso ele continue a utilizar características do seu perfil que não condizem com o mundo das organizações nos dias de hoje, levando-o a refletir sobre possibilidades de futuro e como ela se enxerga num horizonte de tempo e que ações deverá empreender para remodelar pontos de seu perfil. O mais importante é que o dono de todo o processo é o próprio profissional que passa por essa "avaliação", pois por mais que ele esteja informado acerca das suas facilidades e dificuldades, se não estiver imbuído do espírito de mudança e do desejo real de melhoria, nada poderá ser feito, aliás, poderá sim, talvez ele não estará mais na posição que se encontra atualmente.
Dessa forma, se quisermos conhecer as pessoas com as quais trabalhamos e extrair o máximo do potencial individual culminando com a obtenção de resultados, elevada performance, clima organizacional estimulante e ambiente de respeito mútuo dentro no interior das equipes, devemos, primeiramente, conhecer melhor a nós próprios!!!