Márcia, o que aconteceu com aquele cliente que pediu um
orçamento nosso na semana passada? - Pergunta o gerente.
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Eu mandei o orçamento para ele! - responde a vendedora.
?
Quando você mandou?
?
No mesmo dia, por e-mail!
?
E depois, o que você fez?
?
Eu liguei três vezes para ele, mas em uma delas ele não estava,
na outra, não pode me atender, e na terceira, deixei recado para
retornar. Não posso ficar ligando o tempo todo para ele, né?
Acho que se tivesse interesse, já tinha retornado...
O diálogo reflete uma realidade do dia-a-dia de vendas. O
feedback
com o cliente, a prospecção que foi "cortada", ou ainda a forma
limitada como os canais de comunicação foram utilizados para
concretizar a venda são bastante questionáveis, principalmente
numa época em que ninguém está para perder clientes porque se
comunicou de maneira inadequada. E são tantas as possibilidades
de fazermos contato com os clientes, que muitas vezes acabamos
falhando por não sabermos escolher justamente a mais eficaz.
Talvez agora você me pergunte: Qual a forma de comunicação mais
eficaz? A resposta é: DEPENDE. Cada cliente reage de uma maneira
diferente frente às novas tecnologias. E o fato de ter
solicitado o pedido de orçamento por e-mail não significa que o
cliente prefira ser contatado sempre por e-mail. Muitas vezes,
esse é o melhor e mais rápido canal para ele receber um
orçamento, mas não para tirar suas dúvidas, ou ainda desfrutar
da consultoria do vendedor. É preciso ter um pouco de
sensibilidade para perceber que tipo de cliente você está
atendendo. Se ele usa um
smartphone,
por exemplo, talvez esteja sinalizando que por e-mail possa ser
mais rápido. E é engraçado como o cliente sinaliza isso para
nós, e muitas vezes não percebemos. Talvez a melhor forma de
descobrir seja mesmo perguntando para ele.
Como você prefere? -
Conheço clientes que ficaram com orçamentos parados porque o
vendedor não o enviou por e-mail e insistiu na visita que ele
não tinha tempo de marcar. Também já vivi situações em que o
cliente escolhe o concorrente porque queria fechar o negócio por
telefone e o vendedor só falava com ele por e-mail. Eu mesma,
certa vez, marquei uma reunião com um cliente no Aeroporto de
Congonhas. O motivo era que ele queria passar um
briefing
de palestra pessoalmente, e a agenda dele não estava coincidindo
com a minha. Quando descobri que estaríamos no mesmo dia e
horário no mesmo local, marquei a reunião. Achei que o cliente
ficaria feliz por otimizar o tempo dele, mas acabou se
ofendendo, interpretando aquilo como "pouco caso" da minha
parte. E onde foi que eu errei? Errei quando não perguntei o que
ele achava da possibilidade. Da mesma forma, outro dia um
cliente me perguntou se eu poderia trocar uma idéia com ele
através do MSN. No início me pareceu estranho, mas o resultado
me provou que nem tudo é da forma como "achamos" que tem de ser.
O velho telefone -
A grande verdade é que estamos pouco preparados para fazer uso
da grande quantidade de recursos que temos disponíveis para
otimizar o contato com o cliente. As comunidades ajudam muito, e
os
gadgets
tecnológicos também, mas se não soubermos o que fazer com tudo
isso, essas inovações acabam não servindo para nada. E o bom e
velho telefone, está cada dia mais complicado para abrir portas,
para chegarmos ao cliente ou decisor. Você continua fiel?
Isso me faz lembrar uma loja de um shopping que tem perto da
minha casa. Eles não aceitam cartão de crédito e nem de débito.
O cliente é quem tem que se adaptar às formas de pagamento
aceitas pela loja ou a loja que tem de oferecer muitas formas
para o cliente escolher a melhor para ele? Quanto este
empresário poderia vender mais, se pensasse desta forma?
Certa vez ouvi essa história de Neil Rackham, um grande
professor de vendas, em uma de suas palestras. No Wal-Mart dos
Estados Unidos alguns gestores perguntavam quanto às empresas
poderiam fornecer de desconto para substituir a visita do
vendedor. E por que tanta "antipatia"? Na verdade, visitar o
cliente tem um custo para quem visita, e tem custo para quem
recebe. Na verdade, o que eles queriam, era otimizar o tempo
deles, porque já sabiam que a venda seria meramente
transacional. Minha pergunta é: quanto tempo você ainda está
gastando com vendas transacionais, usando meios de comunicação
que já não oferecem os resultados esperados? E agora: quanto do
seu tempo você está investindo para fechar vendas consultivas
utilizando-se da melhor plataforma de comunicação escolhida pelo
cliente?
Furando bloqueios -
Se pararmos para pensar, nunca foi tão fácil furar o bloqueio
das secretárias quanto agora. Ou você acha que conseguiria
escrever uma carta para o presidente de uma empresa e ainda
fazer com que ela chegasse até ele e fosse lida por ele em
questão de algumas horas? Esse é poder da internet, que abre uma
infinidade de possibilidades de negócios para nós. Basta que
saibamos fazer uso e estejamos devidamente antenados com as
novidades e inovações que o mercado oferece.
E aqui temos apenas alguns exemplos para você:
?
Comunidades
- importante fonte de relacionamento e de prospecção de
negócios. Indico a comunidade específica de vendas da revista
VendaMais (www.comunidadevendamais.com.br).
Você pode ainda fazer bom uso do Facebook, LinkedIn, entre
tantas que existem por aí.
Mensagens instantâneas
- os mais conhecidos ainda são o MSN, o Google Talk, o Skype
(assim como o MSN permite contato por voz ou vídeo em tempo real
sem custo adicional - para usuários básicos), os torpedos por
celulares e por meio da internet, ou se gostar de internet, vale
conhecer o twitter.
E-mail -
Tome cuidado com a palavra que vai colocar no campo "Assunto",
porque pode ser decisiva para a sua proposta ir parar na lixeira
ou ser interpretada como um spam. Importante também cuidar para
não "bombardear" a caixa do seu cliente com mensagens e
"correntes" que não interessam para ele. Isso "queima" o seu
remetente! Cuide também com erros de português. Eles podem ser
cruciais no contato com o cliente.
blog -
Alguns consultores de vendas fazem uso desta ferramenta para
abrir mais um canal de "consultoria". É muito fácil montar um,
mas é importante não abandoná-lo. Na página
www.blogger.com
você tem o passo a passo para criar o seu.
E por que não cruzar tudo isso, como por exemplo, enviar um
torpedo por e-mail? Use a sua criatividade em favor do seu
cliente. Experimente. Atreva-se!
BOX
Cada Cliente, uma sentença.
O Índice Nacional de Serviços ao Cliente (INSC) mostra a opinião
do consumidor em relação à qualidade dos serviços nos canais de
relacionamento.
Participaram da pesquisa mil pessoas de 70 cidades do Brasil,
acima de 16 anos, de todas as classes sociais e com renda
familiar variada.
Quando perguntadas por meio de quais canais gostariam de receber
uma oferta ou propaganda de um produto ou serviço, o canal mais
citado foi o telefone fixo com 39%, independentemente da classe
social. A opção carta (mala-direta) vem em seguida com 21% e o
terceiro canal é o telefone celular com 18%. Para quem tem renda
inferior a R$ 1.000, o celular tem grande penetração: 21%
preferem este canal.
Os entrevistados também citaram os canais considerados mais
adequados para entrar em contato com uma central de
relacionamento com o cliente. Na faixa dos 16 a 24 anos, o
telefone fixo é o mais citado com 35%, já 32% deles preferem ir
à loja e a terceira opção é o telefone celular com 18%. Mesmo
assim, a internet ainda é o canal mais utilizado entre os jovens
de 16 a 24 anos quando comparado aos entrevistados de outras
faixas etárias. No total de respondentes, independentemente da
idade e classe social, 40% optam por ir à loja, 34% preferem o
telefone fixo, 15% utilizam mais o telefone celular.
O resultado da pesquisa mostra claramente como o perfil muda de
acordo com a faixa etária e poder aquisitivo do cliente. E
comprova que o cliente aprecia sim o seu contato, desde que já
bem-feito e possa ajudá-lo a resolver o seu problema. Você está
se comunicando com os seus clientes sempre da mesma forma?