Gerações de Saúde
http://www.abtd.com.br - Data da Publicação: 09/11/2010
Por ANDRESSA PINHEIRO
O objetivo deste artigo é provocar uma reflexão a respeito da "rotulagem" dos perfis comportamentais e a qualidade de vida das diferentes gerações.
"O indivíduo é único e diferente de todos os outros".
(Carl Gustav Jung)
Um dos assuntos mais observados e discutidos hoje no ambiente organizacional está ligado ao perfil dos profissionais das diferentes gerações: conflito de valores, de práticas, de percepções, indicando quase a impossibilidade da coexistência entre as gerações no mesmo espaço social, o que muitas vezes pode desencadear um alto clima de competitividade e baixa qualidade de vida.
Para tentar esclarecer esta questão, estudos contemporâneos têm se debruçado sobre a análise das relações intergeracionais tendo como base os aspectos cronológicos e sociais específicos de cada época. Estes abordam a existência de cinco principais gerações, definindo-as em:
Veteranos (nascidos até 1950, marcada pelos conflitos armados);
Baby Boomers (nascidos entre 1951 a 1964, marcada por manifestações contra o moralismo rígido da sociedade);
Geração X (nascidos entre 1965 a 1983, classificada como "era do individualismo");
Geração Y (nascidos entre 1984 a 1990, marcada pelo fim da idade industrial e o início da idade da informação);
Geração Z (nascidos a partir de 1990, marcada pela consolidação da globalização e o capitalismo global).
Quando analisado os aspectos relacionados à qualidade de vida (conjunto de percepções individuais no contexto de cultura e sistema de valores nos quais se vive em relação aos objetivos, expectativas, padrões e preocupações), salientamos que os estudos sobre as gerações estão deixando de considerar fatores importantes que determinam o comportamento humano: as experiências vivenciadas (e como é absorvido e administrado o impacto dos fatos) e as escolhas de vida (os indivíduos, independente da sua idade cronológica e geração, vão conceber e se apropriar do mundo e de seus acontecimentos de maneira peculiar, devido às suas percepções e escolhas que lhes façam algum sentido). Para o sociólogo Karl Mannhein, o simples fato de determinados indivíduos terem nascido em um mesmo período histórico o que, naturalmente, os fará avançar "juntos" nos ciclos da vida, não é fator suficiente para concluir que estes constituirão uma geração e terão as características comportamentais e hábitos similares.
Exemplificando a teoria de Mannheim, temos observado diversos materiais publicados na internet afirmando que a Geração Y é a que mais procura estar saudável fisicamente. Um estudo realizado recentemente pela University of Michigan Health System sobre as tendências da obesidade, mostrou que os americanos estão se tornando obesos mais jovens e estão carregando o excesso de peso por mais tempo, o que revela a preocupante tendência das gerações mais jovens estarem adquirindo doenças crônicas mais cedo na vida que seus pais e avós.
Sendo assim, no contexto das diferentes gerações e sua qualidade de vida se faz necessário uma análise comportamental mais abrangente e refinada (incluindo as experiências e escolhas individuais) do que somente a cronologia e "pertencimento" para se determinar perfis e comportamentos.
Fica como dica para todos nós, aproveitar todas as contribuições saudáveis (nos aspectos emocionais, espirituais, físicos, financeiros, intelectuais, profissionais e sociais) das gerações que já passaram e das que ainda faremos parte.
Andressa Pinheiro e Elaine C. Alves Patta
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