Por: Gustavo Falcão
Desempenho
e resultados cada vez melhores são alguns dos desafios da liderança
hoje e sempre. Para que o líder possa desempenhar bem seu papel é
importante que ele entenda em que estágio os membros de sua equipe se
encontram. No início, a busca da equipe é pela aceitação,
sobrevivência, receber atenção, estabilidade, fazer parte, com essas
necessidades atendidas, busca-se a afirmação profissional, seu poder de
influência, empowerment e só então, alcança-se a auto-realização que é
o compartilhar, a plenitude, viver com base no tripé missão, visão e
valores com integridade.
ACEITAÇÃO
O profissional que está na fase da aceitação é aquele que está mais
ansioso, tem o desejo de receber mais atenção, de ser notado, busca se
firmar na equipe, conhecer as outras pessoas, convive com alguns
momentos de insegurança em relação a sua aceitação ou rejeição perante
aos colegas de trabalho. Existe uma preocupação muito grande com o que
os outros estão pensando a seu respeito. Para alguns essa fase passa
rápido, para outros nem tanto. O ponto comum é que em ambos os casos,
eles esperam por um líder que oriente, tranqüilize e os ajude a
amenizar essas preocupações, de tal maneira a acelerar o progresso da
equipe.
Normalmente, essa fase da aceitação ocorre com novas contratações,
tanto do líder, como de membros da equipe, ou quando pessoas são
designadas a um projeto novo com pessoas de outras áreas dentro da
mesma empresa.
INFLUÊNCIA
Passada essa necessidade de aceitação, que está, fazendo um paralelo
com as hierarquias das necessidades, ligada às funções primárias
(fisiológicas e de segurança), o profissional sobe um degrau nos seus
motivos que o levam a ação e como já se sente aceito, isso já está
satisfeito internamente para ele, agora a motivação é expandir seu
poder de influência, partindo para as necessidades secundárias
(sociais, de estima e auto-realização). Nesse momento o profissional
quer atender as suas necessidades de prestígio, sua preocupação é mais
consigo mesmo e menos com os outros, se torna mais competitivo, quer
mostrar que é capaz, mostrar trabalho, quer ser visto, notado, ser
reconhecido, obter algum tipo de controle e autoridade sobre as
pessoas. Seu ponto vulnerável é o medo de parecer incompetente e ser
superado pelos "oponentes".
O papel do líder nessa etapa é fundamental, é o momento de desafiar o
profissional, incentivar, porém, com muita atenção aos excessos que
podem surgir pela vontade de ampliar as fronteiras. É preciso definir
os papéis e as funções de cada membro da equipe, estipular limites e
levar em consideração o nível de maturidade de cada membro. A
maturidade do líder também será testada, à medida que seus
colaboradores querem ter mais poder de influência, o líder pode cair na
armadilha de se sentir ameaçado por eles e seu sistema de defesa pode
ser acionado através da centralização de informações e ações que levam
às barreiras da comunicação, descritas anteriormente. É um momento que
exige muita atenção e esforço do líder para conter e ao mesmo tempo
encorajar seus colaboradores a assumirem responsabilidades, ajustarem
expectativas e canalizar essa força, focando-a na missão, visão e
valores da organização e não apenas nos interesses pessoais.
COMPARTILHAMENTO
Tornar perene, ter plenitude, integridade, foco na missão, visão e
valores, transcender a vontade própria, seu movimento interno tem uma
necessidade menor em provar algo para si mesmo ou para os outros. A
automotivação é bem desenvolvida e a equipe compartilha entre si
problemas e soluções, é a auto-realização na escala de Maslow.
O líder deve ficar atento para que a equipe não entre na zona de
conforto, no "status quo" achando-se auto-suficiente a ponto de
estagnar. É importante o líder provocar alguns desafios para evitar o
ciclo vicioso e manter a equipe no ciclo virtuoso.
Os membros das equipes costumam transitar por essas três fases e com
ações e reações distintas nos momentos bons e ruins, por exemplo: a
dinâmica da equipe quando um colaborador tem um dia ruim, os
colaboradores que estão na fase da ACEITAÇÃO, têm a tendência de não se
importar e muitas vezes nem se quer saber o que está acontecendo com o
outro, por estarem muito focados em si próprios, por outro lado, os
colaboradores que estão na fase da INFLUÊNCIA,
podem, sem demonstrar, até ficar contentes, afinal, por ser uma fase
onde os membros da equipe estão muito competitivos, o dia ruim de um
"oponente" pode significar a "vitória" para outro. Já os colabores que
atingem o nível do COMPARTILHAMENTO, poderão nesse
momento manifestar apoio e ter a iniciativa de buscar soluções em
conjunto para manter a performance em alta na equipe.
As reações também se diferem quando um colaborador tem um dia com bons resultados. Os colegas que estão no processo da ACEITAÇÃO podem
manifestar o sentimento de preocupação pela "ameaça" à sua
estabilidade, por ainda terem medo da rejeição. Os colaboradores que
estiverem no processo da INFLUÊNCIA podem até sentir inveja, por ter de
provar seu valor e medir forças de poder e quando acontece de alguém
ter mais sucesso, mesmo que seja bom para a equipe como um todo, essa
pessoa pensa que ela deveria estar "na crista da onda" e não o outro.
No COMPARTILHAMENTO é interessante notar que a maioria dos
colaboradores comemorará junto a conquista, pois focam os objetivos e
interesses do grupo e não apenas os seus.
A liderança integral opera nesses diferentes níveis de motivação da
equipe, interpretar e criar estratégias e, principalmente, agir
norteado por essas características, auxilia a tomada de decisão a ser
mais focada e produtiva. A liderança integral tem o papel importante
que é fazer as pessoas trabalharem bem e juntas.