Por: Gustavo Falcão e Rosângela Quaglio
Consultores MOT

Eles
não beijaram a mão dos pais ou padrinhos para pedir a "benção", não tem
receio de perguntar, foram cedo para a escolinha e aprenderam a se
defender sozinhos. Tinham o dia cheio de atividades e conversavam mais
com a empregada ou a babá, do que com os pais. Foram desafiados a
aprender tudo rapidamente. Ganharam mais atividades durante o dia para
não ficarem ociosos e mais presentes fora de época para compensar a
ausência de pai e mãe trabalhando fora.
Foram educados para perguntar sem medo, por isso são conhecidos por
Geração Y (why?), ou geração 2.0 porque estão sempre conectados a algum
tipo de tecnologia; trabalham e falam ao mesmo tempo no MSN, celular e
viajam pela internet o que para as gerações anteriores é distração.
Para a geração Y, estar online é uma questão de estar "vivo e dentro".
Quando Barack Obama foi indagado, pela revista People, o que ele nunca
deixaria de levar ao sair de casa, a resposta foi uma webcam, para
poder conversar com a mulher e as filhas, quando está fora de casa.
Chris Hughes, um rapaz de 24 anos, organizou a web para Obama o
candidato que utilizou muito a internet e por isso mesmo soube
conversar com a Geração Y. Nunca um candidato esteve tão perto,
virtualmente.
Desafio, Diversidade, Rapidez
Essa Geração, que já está conosco há quase trinta anos trouxe uma nova cultura para o mundo e para dentro das empresas.
Lealdade à organização e reengenharia são palavras que não fazem parte
desse novo mundo, foram trocadas por desafio, diversidade e rapidez.
Desafio por que não suportam a rotina, o trabalho mecânico; diversidade
porque trabalham com pessoas de várias nacionalidades, credo, raça e
preferências sexuais; rapidez, porque quando chegam à empresa não
escondem a ansiedade de querer saber quantas promoções terão, quando
serão gerentes ou diretores. Prezam o ambiente informal com
transparência e liberdade para trocar idéias, estão acostumados a
questionar e serem questionados, não hesitam em expressar sua opinião
diretamente ao diretor ou mesmo ao presidente da empresa. Cobram
coerência, querem trabalhar em empresas que pratiquem na vida real o
que pregam nos banners sobre visão, missão e valores.
Lentidão e pobreza tecnológica, não tem espaço nessa Geração.Boletins
impressos e murais não são a melhor forma de conseguirmos a atenção
para nos comunicarmos com essa geração que domina os mais variados
meios da Web 2.0, blogs, podcasts, mensagens instantâneas, wikis, redes
sociais.
Como diria Peter Drucker, "Nenhuma escolha será boa, se não soubermos
quem somos". Vale a dica! Este é o momento certo de reflexão para as
organizações, talvez o conceito "engessado" de gestão, não seja o mais
atrativo para o mercado, mas sim, aquele que acompanha o ritmo das
mudanças e atua de acordo com cada novidade. O desafio do momento para
as organizações é olhar além dos estereótipos e conhecer essa geração e
reestruturar as políticas do ambiente de trabalho para aproveitar o
melhor desse espírito Y.
É o momento das empresas se questionarem, aprenderem e praticar o real
valor das palavras renovar e inovar, afinal, segundo a edição especial
de 2008 da revista Você S/A e Exame, das 150 melhores empresas para
você trabalhar, a Geração Y representa pela primeira vez a maioria em
seu local de trabalho com expressivos 45,3% sendo que, 25% dos cargos
de liderança são ocupados por jovens na faixa etária entre 25 e 30
anos, ou seja, são da Geração Y. A "Time" descreveu a Geração Y na sua
edição de 16 de julho de 2007, como pessoas que querem o tipo de vida
em que cada minuto tem sentido.
Esse espírito Y precisa de uma escalada rápida na carreira, um balanço
mais justo entre trabalho e vida pessoal, feedbacks positivos,
treinamento e tecnologias de ponta. Por não terem medo de questionar
seus líderes, essa geração não sente a necessidade de abrir mão de sua
opinião e valores em prol de sua realização profissional e desafiam
assim, as convenções do ambiente de trabalho hoje, podendo no final das
contas, mudá-lo para melhor.