IDEPRO - Instituto de Desenvolvimento Profissional Formador
 
 
Acesso do associado : (Esqueci Senha )
Cadastre-se

Conteúdo
Informações
Telefone:
+55 (11) 5085-2283
FAX:
+55 (11) 3562-7638
E-mail:
abtd@abtd.com.br
Endereço:
Rua Machado Bittencourt, 89 - Vila Mariana - S.Paulo/SP
Ver Mapa

Redes Sociais
   
DINSMORE ASSOCIATES
VERDAE NUA!

A Vida É Puro Malabarismo Publicado em 30/07/2009 às 11:44:17
Escrito por VICTOR MIRSHAWKA JUNIOR

Quase todo dia eu me lembro de que a vida é puro malabarismo. Mas por uma razão bastante palpável, bastante direta, bastante óbvia.

Toda criança de ontem que tenha em 2009 mais de trinta e cinco anos lembra-se da experiência de ir ao Circo de um jeito muito diferente daquele que seus filhos viverão nos dias de hoje. No nosso tempo (já que eu sou um desses trintões), o circo era mais mambembe, mais artesanal, mais local. Os circos locais sempre ostentaram um ar de amadorismo que lhes dava até certo charme, mas que punha em evidência, não raro, as difíceis condições nas quais viviam seus artistas.

Dos circos internacionais só se conhecia algo pelo ouvir falar ou pelas fotos e notícias em jornais, tanto que quando algum resolvia fazer temporada no Brasil, era um grande alvoroço.

Os tempos mudaram: hoje, estamos na era do espetáculo global. O circo mais famoso do mundo, que eu inclusive uso como exemplo em algumas aulas sobre gestão e talento, o Cirque Du Soleil, virou empreendimento mundial, com sucursais em várias partes. Suas temporadas por aqui vêm aumentando de tamanho e duração, pois o espetáculo realmente é único. Além de não usarem animais, os números do cirque Du Soleil contam com artistas que são o supra-sumo do talento em suas modalidades, e proporcionam instantes de grande encantamento durante suas performances, acompanhadas de música ao vivo, cenários deslumbrantes, intervalos para comes e bebes e muita pompa e circunstância.

Estes artistas, em recompensa ao seu esforço e também ao seu talento, vivem com razoável abundância, bem remunerados e desfrutando às vezes do status de estrelas pop.

E é sobre tudo isso que eu penso quando paro em um farol, em São Paulo, por exemplo, e uma criança encosta na frente e começa a jogar para cima dois limões ou três bolinhas de tênis. De manhã ou à noite, estes anônimos artistas mirins se esforçam por equilibrar suas dificuldades, fome, sede, cansaço, falta de escola, e tentam colher alguma doação daqueles que não conseguem refrear o impulso de compaixão. Sabemos que o máximo que se faz ao dar esmola em farol é estimular um modelo absolutamente errado de sobrevivência, mas eventualmente é impossível resistir ao olhar pedinte de uma criança à noite, descalça, no frio.

E quais são os verdadeiros artistas? Os brilhantes malabaristas do circo internacional, os heróis infantis que encaram o espetáculo do trânsito junto com a fome, ou os (com todo respeito à classe, pois aqui a intenção é pejorativa) palhaços que não fazem nada para mudar esta situação? Aliás, em quem serve esta carapuça, ou este nariz vermelho?

A vida é puro malabarismo...

Miojo Cru... Publicado em 22/07/2009 às 08:21:48
Escrito por VICTOR MIRSHAWKA JUNIOR

Sempre que posso, procuro arranjar um tempinho para almoçar com minha esposa, normalmente em algum shopping de São Paulo. Como praia de paulistano é shopping mesmo, costuma ser num deles nosso ponto de encontro, quando a agenda permite.

E o shopping é um lugar fascinante para olhar pessoas e seus hábitos, desde que de forma disfarçada e educada. Concordo que os freqüentadores de shopping talvez não representem todo o espectro possível de seres humanos, mas pelo menos há uma boa amostra.

Há um tempo atrás nos encontraramos próximo às 13h00, para comer rapidamente, pois eu tinha algumas reuniões à tarde. No caminho para o estacionamento - normalmente eu vou e ela fica para comprar algo que esteja em falta - já que desta vez estávamos os dois de saída, tive uma chance de confrontar mais uma vez minhas próprias crenças.

Sentada em um sofá daqueles confortáveis de corredor, estava uma mulher de aproximadamente trinta anos. Com uma faixa do tipo que atleta usa na cabeça, camiseta e calça de moleton, ela estava comendo algo guardado num saco plástico bege. Além disso, pela sujeira no chão à sua volta, lembrava uma criança em cadeirão de restaurante, que derruba pedacinhos de pão o tempo inteiro, até que os pais desistem de limpar.

 Quando passamos exatamente ao lado dela, percebi o que tinha em mãos: um pacote daquele famoso macarrão salvador das horas de fome inusitada, o Miojo. Ela estava comendo pedaços do miojo como se fossem um salgadinho qualquer, ou seja, crus, e havia derrubado uma boa quantidade no chão.

Eu fiz um sinal para minha esposa de modo que ela olhasse, numa tentativa de verificar seu eu tinha entendido a cena, afinal, quem come miojo cru? Eu, pelo menos, nunca pensei em fazer isso, embora já tenha recorrido ao macarrãozinho muitas e muitas vezes.

Minha esposa olhou e fez cara de espanto, pois além de não gostar particularmente do miojo, ela compartilha de minha visão sobre comê-lo desta forma. Contribuiu para seu espanto o jeito desleixado com que a moça comia, e a bagunça à sua volta, tudo destoando do ambiente do shopping.

Continuamos em frente, em direção ao elevador. Entramos, junto com uma senhora, e não conseguimos conter a conversa e os comentários:

- Nossa, que é isso? Comer miojo cru? Que mulher estranha.

- E você viu a sujeira? Deve ser louquinha de pedra.

- Eca...

Depois do meu eca, a senhora ao nosso lado não se conteve, e soltou:

- Nossa, que engraçado. Meus netos adoram comer miojo cru quando vão na minha casa. Aliás, eles fizeram questão de comer isso ontem.

Os próximos sessenta segundos foram uma aula sobre como saborear o tal macarrão sem cozinhá-lo, dada por uma desconhecida, que por um incrível acaso entrou no elevador conosco depois de eu ter presenciado pela primeira vez na vida alguém comer miojo cru.

Saímos do elevador, cada um pegou seu carro, e eu não pude deixar de pensar a respeito. Simplesmente porque as pessoas são diferentes, elas não são necessariamente piores, ou loucas. Talvez comer miojo cru seja um prazer insuperável para aquela moça do shopping, e para os netinhos da Dona não sei quem. O fato de eu não gostar de fazer isso, de nunca ter feito e de não compartilhar deste hábito não deveria me fazer concluir tão rápido algo sobre os outros. Em tempos de Susan Boyle, aquela cantora fenômeno que apareceu no programa Britain's got Talent, e cuja aparência induziu todos ao erro sobre seu talento, talvez eu devesse tomar mais cuidado com conclusões prematuras. Isso vale para tudo na vida.

Nem Sempre O Certo É O Certo... Publicado em 20/07/2009 às 13:28:10
Escrito por VICTOR MIRSHAWKA JUNIOR

Dirigindo dia desses de manhã, parei num cruzamento entre duas ruas movimentadas, e enquanto aguardava no sinal vermelho, pude seguir com o olhar, durante penosos vinte segundos, uma senhora de idade, de origem asiática, atravessando a rua com duas sacolas de compras de supermercado.

A coitada andava arqueada para frente, e quando se movia, pendia o corpo para cada lado, numa clara indicação de dificuldade e de dor para realizar o movimento. Torci para que ela conseguisse cruzar a rua antes do farol abrir.

No exato instante em que ela chegou à calçada do outro lado, e ao mesmo tempo em que a luz verde surgiu, ela parou, colocou as sacolas no chão, e mesmo que estivesse de costas para mim nesta posição, eu podia ver, ou talvez sentir, sua expressão de cansaço. Acho que devo ter ficado muito tempo ali pensando e olhando, pois o motorista do carro de trás quase desceu, depois de muito buzinar, para me fazer acelerar meu carro em frente.

Em poucos segundos, tomei a decisão que achei mais humana. Dei a volta no quarteirão e encostei ao lado daquela senhora, perguntando se ela queria ajuda. Isto não foi difícil porque ela estava em frente a um posto de gasolina, portanto havia bastante espaço livre para meu carro. Além disso, eu estava disposto a desviar um pouco do meu percurso (porque não estava atrasado) e quem sabe levá-la até sua casa, já que ninguém na redondeza se dignou a fazer qualquer menção de auxílio, e havia muitos pedestres ali, pois estávamos ao lado de uma estação de metrô.

O que se seguiu me surpreendeu, e muito, mas negativamente. Ela me escutou, olhou profundamente em meus olhos, e sem dizer uma só palavra, cuspiu no chão e continuou andando. Eu fiquei absolutamente sem reação, me achando um completo idiota, e achando aquela senhora mais idiota ainda, pois não gostaria de citar as palavras que pensei.

Por mais alguns instantes, olhei para aquele caminhar vagaroso, dolorido, mas firme, num misto de resignação com coragem, mas não consegui entender aquela atitude tão grosseira.

Acho que o frentista atrás de mim já tinha o discurso pronto para estas horas. Esperou que eu virasse o rosto, pois pelo jeito outros já o fizeram, e soltou:

- Não se preocupa, não, dotô. Você é o segundo na semana. A dona Keiko passa todo dia por aqui de manhã, e às vezes encosta alguém que quer ajudar. Só que ela ficou assim desde aquela vez que um moleque levou as compras dela até o apartamento, entrou com ela e roubou uma pá de coisa, além de dar uns socos antes de fugir. Maldade...

O máximo que pude pensar, nesta hora, além de coitada da Dona Keiko, foi que nem sempre o certo é certo. Um aprendizado desses não deveria precisar acontecer. Mas liguei o carro e sai rápido, pois não havia mais o que fazer ali.

Enquanto dirigia, lembrei de ter lido algo parecido sobre ser humano num livro antigo (O Príncipe, de Maquiavel), mas preferi achar que as Donas Keiko vítimas de assaltantes são apenas tristes exceções.

Por Que Verdade Nua? Publicado em 20/07/2009 às 13:25:35
Escrito por VICTOR MIRSHAWKA JUNIOR

Cada um de nós tem interesses diversos. Isto torna o mundo interessante, mas também assustador, pois o choque destes interesses, apesar do impulso que dá à evolução dos grupos humanos, também gera todo tipo de conflito, certo? Desde as discussões mais ingênuas e divertidas sobre o time de futebol do coração, o melhor lance do último jogo (antes que eu me esqueça, Ronaldo!), ou a que restaurante ir, até as guerras por território, pela supremacia de ideias e em última análise pelo poder.

Meu interesse principal, nos últimos tempos, tem sido entender esta dinâmica dos interesses, ou das motivações. Poderia ter feito isso freqüentando a faculdade, quem sabe de psicologia, ou até lendo os livros dos pesquisadores mais importantes na área. Mas acho que a tarefa fica muito divertida quando se procura descobrir o que as pessoas querem observando de fato o seu comportamento, no dia-a-dia, e tentando decifrar o que está por trás, ou seja, a verdadeira razão. Porque se você perguntar sobre os motivos reais que alguém teria para sujar a calçada, ou ceder uma passagem aérea a um parente, sendo estes atos reprováveis, seguramente os discursos não explicarão corretamente as ações.

Contribui para isso um conceito que achei absolutamente instigante, desde a primeira vez que li a respeito: Dissonância Cognitiva. Seria algo como a ocorrência de um fato que contradiz totalmente nossas crenças, gerando um vazio de entendimento. Isto acontece, por exemplo, com as seitas que acreditam no fim do mundo com hora marcada, e essa hora passa, e o mundo continua aí. Como explicar esta contradição a si mesmo depois de construir todo um modelo de vida baseado no apocalipse que não vem?

Em outras palavras, e como reflexo deste conceito, quando fazemos algo que vai contra a crença geralmente aceita, e somos interpelados para explicar o porquê, nosso primeiro impulso será o de justificar a atitude com alguma explicação que nos livre da culpa. Por exemplo, acessar conteúdo erótico na internet (sobre esta argumentação sugiro a leitura do livro Click, de Bill Tancer), burlar a dieta todo fim de semana, mentir aos pais sobre o verdadeiro programa de sexta à noite, fingir uma doença para faltar ao trabalho, etc...

Em resumo, encontrar a Verdade Nua que justifica os comportamentos é um desafio e tanto, especialmente quando o melhor que as palavras podem fazer é encobri-la ainda mais. Requer paciência, um senso aguçado de percepção, tolerância com as verdades sobre quem realmente somos, e uma boa dose de malícia... Ou seja, ingredientes perfeitos para um exercício diário de reflexão. Algumas destas reflexões vão aparecer aqui no blog, motivadas apenas pelo fato de terem acontecido e com a absoluta humildade de serem conclusões pessoais...

 FIQUE SÓCIO - ABTD
Enquete
Qual a melhor época para participar de Treinamentos externos?





GESA GUARAREMA EMPREENDIMENTOS S/A
TEMPO ASSIST
© Copyright 1999 - 2012 - Política de Privacidade - Todos os direitos reservados à ABTD Nacional - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento
Rua Machado Bittencourt, 89 - Vila Mariana - CEP: 04044-000 - São Paulo - SP - Tel: (11) 5085-2283 / Fax: (11) 3562-7638. abtd@abtd.com.br

Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião da ABTD e de seus diretores.
Os textos cadastrados são de responsabilidade exclusiva dos seus respectivos autores.