*Por:
Alcides Ferri
Uma
avaliação consistente, por ocasião do
processo
seletivo, é fundamental para que ocorra uma escolha acertada
– no intuito de
que o candidato esteja alinhado à cultura da
organização.
Um
fato curioso e até mesmo irônico, que salta aos
olhos, na história de Osama bin
Laden é que, num dado momento, ele e os americanos lutaram
do mesmo lado contra
os soviéticos no Afeganistão. Tal
relação teve início quando os Estados
Unidos,
através da CIA (Agência
Central de
Inteligência), apoiou um grupo, liderado por Bin
Laden, a fim de
combater a invasão russa no Afeganistão
(1979-1989). Os objetivos de Osama, até
então, parecia ter um caráter muito mais
operacional do que ideológico. No
entanto, os Estados Unidos estava “dormindo com o
inimigo” e fazendo um favor
para quem seria o seu maior rival.
Bin
Laden encontrou, nesta relação e apoio, terreno
favorável para fundar a organização Al
Qaeda (“A Base”) e agir, posteriormente,
por meio de ações terroristas. Sua
relação com os Estados Unidos, no auge da
chamada "guerra fria", foi oportuna – pois, mesmo sendo rico,
ele se
beneficiou com o tempo que precisava, com a liberdade, com armas,
dinheiro e
capacitação, para criar sua infraestrutura do
terror. Demonstrou que “os fins
justificam os meios”. Em 1991 decidiu opôr-se aos Estados Unidos por
não aceitar a
presença do mesmo na Arábia – passou
a ser de aliado a inimigo número um, tendo em vista os
ataques terroristas
efetuados contra o país (EUA), mais precisamente os
ocorridos em 11 de setembro
de 2001.
Não
fosse talvez o apoio dos Estados Unidos e sua
interpretação de que Osama bin Laden era o homem
ideal a ser recrutado para os
objetivos propostos, possivelmente os episódios de
terrorismo teriam sido
minimizados. No entanto, deu no que deu.
De
igual forma, hoje, no ambiente organizacional é
preciso muita cautela, por parte da área de Recursos Humanos
e seu subsistema
de Recrutamento e Seleção, na ocasião
da contratação de um novo colaborador –
a
fim de que erros não sejam cometidos no sentido de trazer
para dentro da
empresa uma pessoa orientada por objetivos e valores que não
coadunam com os da
organização.
É
notório observar empresas que dão todo o
treinamento
necessário e capacitação para que o
profissional se desenvolva e se familiarize
com a execução do trabalho, tornando-o mais
preparado e apto. Também é de
conhecimento que muitas empresas reclamam que o profissional, uma vez
treinado
e preparado, acaba indo para o concorrente – ocasionando
custo porque haverá necessidade
de se treinar outro profissional e ainda benefício da
concorrência em
detrimento da empresa anterior.
A
raiz do problema, muitas vezes, está no início do
processo. Ou seja, a política de
retenção e de valorização
de talentos deverá
estar atrelada a fase de recrutamento e seleção.
Desde o primeiro momento o
candidato deverá passar por etapas que
identificarão não apenas se ele é o
profissional certo para a vaga certa, mas se ele é o
profissional certo para a
empresa certa. No entanto, nem sempre se sabe determinar,
principalmente, qual
a pessoa certa – e, a princípio, o que parecia ser
a solução acaba sendo o
problema. Por isso, é importante a
descrição de cargo estar balizada nos
principais traços culturais da
organização.
Além
de exigir conhecimento técnico dos candidatos e que tipo de
formação o cargo
exige, é primordial a procura por pessoas com
competências muito específicas às
necessidades da empresa. O candidato pode até ter
conhecimento (saber) e
habilidade (saber fazer), mas se sua atitude/comportamento (querer
fazer)
destoa daquilo que a empresa espera dele – fatalmente, se
houver a contratação,
os envolvidos confrontar-se-ão com possibilidades de riscos
para a empresa.
O
outro lado também é
verdade! Quando o colaborador não consegue perceber sua
importância dentro da
organização e sente que seus objetivos
não combinam com os da empresa ou que
não são contemplados pela empresa, provavelmente
buscará novas oportunidades em
outros lugares, preterindo assim a empresa que o contratou.
É fundamental que
ocorra, desde a contratação, compatibilidade de
valores entre a organização e o
colaborador, a fim de que haja capacidade de
adaptação de ambos.
Uma
avaliação mais precisa, por ocasião do
processo
seletivo, evitará erros e promoverá uma escolha
mais acertada, objetivando
harmonia entre empregado e empregador. Caso contrário,
“um estranho no ninho”
sempre será sinônimo de problemas futuros, ainda
que no presente se mostre
útil.
*Autor:
Alcides Ferri tem formação Superior em
Recursos Humanos e Pós-Graduado em Gestão
Estratégica de Pessoas. Experiência
de 14 anos na área de Recursos Humanos.
Experiência de 09 anos na área
Administrativa/Financeira. Atuou nos segmentos de
Construção Civil, Rede
Educacional/Religiosa e Consultoria de RH. Participante ativo no CONARH
–
Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, com projetos
voltados para área de
RH. Atualmente atua como Palestrante Comportamental/Motivacional -
realizando
palestras, in company, na área de Treinamento e
Desenvolvimento, objetivando
inspirar e persuadir as pessoas a se engajarem na busca constante de
seu
autodesenvolvimento, visando à
superação das lacunas e carências
existentes em
suas competências a fim de atingirem sustentabilidade na
carreira.
Contato:
alcidesferri@bol.com.br
http://www.alcidesferri.blogspot.com/