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A ciência do propósito
http://www.abtd.com.br - Data da Publicação: 22/10/2018

Por PAULO ALVARENGA (P.A)

A ciência do propósito - Como a neurociência vem comprovando o que a maioria de nós já sabia (ou no mínimo desconfiava)

Nesses quase 20 anos trabalhando com pessoas e para pessoas, sempre me perguntei: “O que faz algumas pessoas saírem de treinamentos e mudarem suas vidas e outras não?” ou “O que as pessoas que apresentam a mais alta performance têm que o restante certamente não tem?”. Essa pergunta foi sendo respondida internamente e com base em algumas leituras e conceitos que fui aprendendo nessa estrada. Sobre a primeira parte eu sempre acreditei que as mudanças estavam muito ligadas às motivações internas de cada um, aqueles que tinham motivações inabaláveis tinham resultados diferentes. E sobre a segunda parte, à luz de teóricos como Richard Bandler, John Grinder, Peter Senge e mais tarde Simon Sinek, fui reiterando minha teoria pessoal agora com mais embasamento e comprovação.

Sobre o último autor que citei, Sinek “caiu como uma luva” para a minha teoria inicial de motivação. Segundo o autor, existe tanto em pessoas quanto nas organizações um círculo dourado. Esse círculo é constituído por três partes: a primeira mais ampla, é “o quê”, o que cada pessoa faz, seus gestos, comportamentos, ações. A segunda, um pouco menor, trata-se do “como”. Como essas ações e comportamentos se dão. E a terceira e mais importante: “por quê”. Por que as pessoas ou empresas fazem o que fazem? Dentro desse círculo residem questões como: Qual a sua causa? Qual o seu propósito? Por que você sai da cama pela manhã? Por que trabalha nesta empresa e não em outra? Por que a empresa existe?

O porquê move as pessoas. Um ser humano normal não acorda às cinco horas da manhã e vai correr na rua ainda fria escura porque bater oito quilômetros já pela manhã simplesmente traz prazer. Essa pessoa acorda às cinco horas da manhã porque tem um propósito, algo que a move, algo que a impulsiona a ter uma atitude diferenciada.

Antigamente, falar de propósito era visto por algumas pessoas e áreas que não o RH como um assunto meio “abstrato”, “incomum”, ou “papo de abraça árvore”. Agora, com embasamento e comprovações diversas de diversos autores, a neurociência nos ajuda a dar a força necessária para que esse discurso esteja cada vez mais presente em nossas vidas e em nossas pautas organizacionais.

Mas você, caro leitor, deve estar se perguntando neste momento: “Ok, mas quais as provas?!”. Por isso, separei trechos e pequenos estudos para ilustrarem o poder do propósito.

 

O propósito ativa a resiliência e protege nosso cérebro

Somando-se aos benefícios de humor, motivação e movimento, o propósito também pode nos tornar biologicamente mais resilientes. Em um estudo inovador, a neuropsicóloga Dra. Patricia Boyle e seus colegas da Universidade Rush acompanharam mais de 900 pessoas idosas que estavam em risco de demência. Depois de controlar outros potenciais influenciadores, os participantes que identificaram um propósito na vida fora de si tiveram apenas metade da probabilidade de desenvolver o mal de Alzheimer. Embora eles não saibam “como” ainda, estudos de acompanhamento sugeriram que ter um propósito afeta a “reserva cognitiva”, ou a força biológica e a resiliência das células cerebrais a lesões e degradação.

E o que nos acontece neurologicamente influencia o que nos acontece fisiologicamente. Um estudo de referência descobriu que um forte senso de propósito resultou em um risco 72% menor de um derrame e uma taxa de doença cardiovascular de 44% menor. Incrível, não? É por isso que vemos todos os dias histórias tão inspiradoras de pessoas de todo o mundo que passaram por situações, em que grande parte das pessoas jogaria a tolha, de forma tão “tranquila” e resiliente. Certamente essas pessoas têm um porquê tão forte e tão inabalável que as coloca em movimento.

 

O propósito, não a felicidade, proporciona a realização duradoura

Desde pequenos ouvimos coisas como “você precisa ir em busca da sua felicidade” ou “faça aquilo que lhe faz feliz”. Mas algumas descobertas da neurociência têm comprovado que tão importante quanto a felicidade é termos um propósito. Dr. Adam Kaplin, um psiquiatra da Hopkins University, trouxe a seguinte consideração: “Uma pessoa puramente feliz está preocupada principalmente com a gratificação presente e instantânea de suas próprias necessidades. Uma pessoa que busca uma vida essencialmente significativa tem maior probabilidade de contemplar o passado ou o futuro e se preocupar com o bem-estar dos outros”.

Ou seja, o bônus que a felicidade traz, como sensações de realização e de prazer, é temporário. Recompensas extrínsecas, como um título de trabalho, um diploma, um aumento ou salário, simplesmente nos dão “empurrões” passageiros. Já o propósito constantemente nos puxa para a frente, e em tempos difíceis, porque está enraizado em algo fora de nós mesmos. Quando somos atraídos por um propósito, é mais provável que reflitamos sobre nosso passado e futuro, e é muito mais provável que consideremos regularmente nosso impacto sobre os outros.

E isso nos traz um círculo completo: quando servimos aos outros, nos tornamos melhores. Mais importante, nós nos transcendemos e nos tornamos parte de algo maior. Incrível, não?

 

O propósito nos ajuda a focar nossa atenção nos outros e a construir organizações mais fortes


Neste ponto, quero sair do indivíduo e pensar no sistema organizacional como um todo. Dois estudos recentes do Instituto de Neurociência da Universidade da Califórnia em Los Angeles identificaram uma parte do cérebro, o córtex temporal superior posterior, que funciona imensamente melhor quando temos a sensação de contribuir com o outro ou com uma causa. Quando sentimos que estamos participando de algo maior, a recompensa de ajudar vem na forma de uma onda de oxitocina, dopamina e serotonina — o que os neurocientistas chamam de “felicidade trifecta”. A oxitocina suporta empatia e vínculo social. A dopamina desempenha um papel importante na motivação e no movimento. A serotonina regula o humor. Outro efeito colateral de servir os outros é o aumento da produção de endorfina. Considerando as evidências, quando lemos sobre os benefícios do propósito nas organizações, devemos lembrar que as organizações são simplesmente indivíduos que se organizam em torno de algo. Não é surpresa, portanto, que quando os indivíduos nas organizações sejam compelidos por um propósito realmente transformador e massivo, eles se sintam mais felizes, mais motivados, formem equipes melhores e tenham um desempenho melhor.

Então, RHs e líderes, fica a dica: o propósito da sua empresa é capaz de reunir e engajar as pessoas, não importam quais desafios estejam à frente?

Nós poderíamos ficar algumas páginas a mais falando sobre pesquisas incríveis como estas que vão ilustrando a importância do propósito tanto para indivíduos quanto para as empresas. As descobertas já são muitas, e de certa forma vão alimentando a minha teoria inicial sobre motivação, e outras tantas crenças que fui criando na minha trajetória como desenvolvedor humano.

O problema é que muitas pessoas jamais pararam por alguns minutos para refletirem sobre seus porquês. Infelizmente ainda são poucas as pessoas que levantam da cama todos os dias sabendo como esse ato “corajoso” as ajuda a se aproximarem de suas missões e das camadas mais profundas de suas identidades.

Não tenho a pretensão aqui de, em poucas linhas, te ajudar a encontrar seu propósito. O modelo IKIGAI me lembrou muito um aprendizado que tive num curso com Deepak Chopra. Em algum momento do curso ele disse o seguinte sobre o segredo da felicidade: “Três coisas geram felicidade para as pessoas. A primeira é a segurança financeira, a segunda é fazer o que a gente gosta e a última estava relacionada a fazer os outros felizes também”.

É por isso que tenho usado esse modelo com executivos do Brasil todo. Esse modelo olha o propósito como uma questão mais holística, ou seja, você não precisa ser pobre ou o próximo Gandhi para viver sua missão. Para te ajudar a começar a jornada em busca de seu propósito quero de deixar as seguintes perguntas:

  • O que você ama fazer?
  • O que você é bom em fazer?
  • O que você é bom e pode ser pago para fazer?
  • O que é bom para o mundo e te traz a sensação de contribuir com algo muito maior?
Paulo Alvarenga (P.A.) é VP da Crescimentum, e especialista em desenvolvimento humano e organizacional há mais de 15 anos. Um dos criadores de programas de sucesso como Líder do Futuro e criado do APP: Alta Performance Pessoal.
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