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O efeito "geração millennials" - O fim do pensamento complexo?
http://www.abtd.com.br - Data da Publicação: 25/10/2018

Por SIDNEI OLIVEIRA

Recentemente, ao dar uma carona de carro a um jovem da geração millennial, pude observar seu total incômodo por eu não utilizar um aplicativo e “confiar apenas na minha memória”. Ele realmente estava aflito, ao ponto de contestar minha capacidade de chegar ao endereço.

Enquanto eu afirmava que não havia necessidade do aplicativo, por ser um local que eu conhecia muito bem e onde havia passado boa parte de minha vida, aquele jovem, movido de toda retórica peculiar de quem é superconfiante na tecnologia, afirmava que eu estava sendo estúpido, pois o aplicativo sempre mostraria o melhor caminho e me levaria para longe do trânsito.

Diante dessa atitude, de evidente inquietude misturada com arrogância, decidi ativar o aplicativo com a condição de “fazer o meu caminho” e ver quem chegaria mais rápido — eu ou o Waze. Mesmo chegando com quinze minutos de antecedência, o jovem não se convenceu e afirmou que eu havia “tido sorte”, pois o trânsito liberou justamente no meu caminho.

Quando tentei conversar com o jovem sobre o ocorrido, falando sobre a necessidade de ter “pensamento crítico” e não confiar totalmente em algoritmos e sistemas, ele me olhou com desprezo e disse que não estava a fim de saber detalhes, bastava saber que o aplicativo teria a resposta que buscava.

Se essa atitude se restringisse apenas a um jovem imaturo, seria até aceitável diante de um cenário que apresenta facilidades tecnológicas incontestáveis, contudo o que estamos vendo é uma “contaminação” desse comportamento em todos os níveis — como se todos quisessem ser millennials.

Ao buscar um endereço no Waze, não estamos mais avaliando o resultado apresentado e, mesmo quando ele indica um caminho 60% mais longo, acreditamos que este seja, sem dúvida, o caminho mais rápido.

Esse é um fenômeno assustador, pois vemos que, assim como os jovens da geração millennials — aqueles que nasceram a partir de 1996 —, vemos que todos adotam em algum nível a postura de espectadores dos acontecimentos. Usamos como base fundamental as intensas postagens nas redes sociais e atribuímos a elas condições de verdade sem nem ao menos criticar.

Confiamos totalmente em postagens cheias de informações superficiais e fragmentadas sem considerar a mínima possibilidade de serem falsas ou equivocadas. De fato, chegamos a considerar que, se não vimos nas redes sociais, provavelmente não é uma informação verdadeira.

O pensamento crítico está cedendo lugar à resposta pronta e rápida que se encontra a um clique, não mais apenas no Google, mas também no Facebook, Instagram ou “naquele grupo de WhatsApp”. Estamos chegando a uma condição social preocupante, onde já não se avalia mais o que passa diante de suas retinas, vidradas em “smartphones”, dos quais somos cada vez mais dependentes.

A maior preocupação está justamente na indiferença e omissão que se observam diante de toda essa realidade. Assim como num cenário de Walking Dead, vemos pessoas agindo como zumbis, sem se olhar, sem criticar, sem reagir, mesmo quando a situação precisa de uma atitude humana.

É essa a realidade que devemos deixar de exemplo e modelo para a “geração millennials” e as próximas gerações, ou será que devemos fazer algo a esse respeito?

Um dos aspectos mais visíveis nos jovens da geração millennials é a facilidade que possuem em argumentar e até mesmo apontar problemas quando estão diante de alguma situação que represente o risco de prejudicá-los diretamente. Este é um talento que resulta em grande parte da supernutrição de informações que eles estão submetidos nas mídias sociais.

Essa condição não está restrita ao jovem, afinal todos os indivíduos, independente da idade, podem usufruir dessa evolução social provocada pela internet e suas infinitas possibilidades. Contudo, é inegável que são os jovens que melhor sabem como acessar o infinito universo de dados que permitem estabelecer referenciais de comparação muito eficazes, por isso a extraordinária capacidade de crítica e retórica que observamos nos millennials.

Tal cenário é tão evidente que as empresas e seus gestores já não consideram o jovem apenas uma força de trabalho novata, portanto, mais barata. Tudo está se transformando, contudo ainda não está muito claro quais são os novos pilares que sustentarão a nova realidade de gestão.

A busca por engajamento e a retenção de jovens profissionais agora são tão prioritárias quanto a gestão do negócio e o foco nos resultados, mas mesmo assim esse fator não representa ainda ações práticas e eficazes no aproveitamento de todo potencial de inovação e produção que os jovens podem realizar.

Chega a ser um paradoxo que a maior quantidade de indivíduos desocupados ou desempregados estejam justamente na faixa de 18 a 24 anos (25,9% em 2017, IBGE), quando justamente deveríamos estar observando o pleno emprego de todo potencial produtivo que a geração mais preparada da atualidade deveria representar.

Isso significa que há um desafio educacional sem precedentes.

Como veteranos, erramos nas últimas duas décadas ao dedicar muita energia apenas em qualificar os mais jovens em competências, fornecendo todo tipo de acesso a informações, treinamentos e formações teóricas. O erro foi justamente negligenciar o desenvolvimento das atitudes, provocando o surgimento de uma geração frágil e completamente dependente da mesma tecnologia que deveria ajudar a ampliar, de forma exponencial, todo potencial dos jovens millennials.

O resultado é que hoje, sem muito esforço, encontramos jovens ambiciosos, declarando seus sonhos e expectativas nas redes sociais, mas que agem de forma indiferente ou omissa diante dos desafios, aguardando algum tipo de solução colaborativa que alguém deveria estar apresentando.

Não há mais dúvidas de que os jovens estão alterando e irão continuar transformando completamente o mundo, mas precisamos entender que isso está acontecendo justamente por causa dos comportamentos e expectativas deles, por isso não se pode mais negligenciar o desenvolvimento das atitudes dessa geração.

Aprender a lidar com as frustrações, desenvolvendo a resiliência necessária nesse mundo em transformação, deve ser uma das principais buscas que o jovem deve promover em sua vida, pois assim alcançará a maturidade e a autonomia para lidar com suas escolhas e seus propósitos.

 

Consultor, Autor e Palestrante, expert em Conflitos de Gerações, Geração Y e Z, desenvolvimento de Jovens Potenciais e Mentoria. Autor de vários livros sobre liderança e dos best-sellers da série Geração Y.
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